quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Hoje completam 75 anos que o Zeppelin caiu em um morro da Ilha do Farol em Arraial do Cabo




Acidente com o dirigível aconteceu em 1944 e história foi documentada pelo autor cabista Leandro Miranda. 

O acidente envolvendo o Zeppelin completa 75 anos nesta quinta-feira (17). A história foi escrita por Leandro Miranda, popularmente conhecido Leo do Blimp e tem como título "K'36, O Zeppelin Que Caiu no Cabo". A intensão do escritor é fazer com que essa história não se perca como muitas outras já se perderam na cidade. “O livro fala sobre o acidente do zeppelin americano, em 17 de janeiro de 1944, em um morro da Ilha do Farol. A história cabista está se perdendo, por isso achei importante documentar esse acontecimento. A princípio era só uma pesquisa, porém o matéria é tão rico, que decidimos passar isso para as pessoas. Foi como montar uma quebra-cabeças, e no final saiu esta linda obra sobre nossa cidade” – contou Leandro.


A pesquisa não terminou e mesmo depois do lançamento do livro Leo continuou a busca por informações e decidiu deixar um presente para os amantes da história cabista e mundial, divulgando outros relatos sobre o fato. Veja: 

O que vocês vão ler a seguir é o resultado de mais de três anos de muita dedicação e de pesquisa incessante sobre o acidente do "Zeppelin". O resultado "infelizmente" só chegou após um ano do lançamento do nosso livro "K-36 O ZEPPELIN QUE CAIU NO CABO".(só quem acompanhou o processo de criação do livro, sabe o quanto tentei conseguir antes do lançamento do livro, mas ...)

Vamos lá, após uma "investigação" (rsrs) e várias tentativas para convencer a diretora da casa de repouso onde o Co-piloto (Richard Widdicombe) passou os seus últimos dias (tenham certeza que não foi nada fácil), consegui o e-mail da filha dele . Pacientemente fui trocando e-mail e explicando o objetivo de minha pesquisa que era de preservar a História da minha cidade. Valeu apena cada minuto dedicado a esse projeto para hoje poder compartilhar com vocês o relato do qual ele tinha dado para um escritor americano que havia escrito um livro sobre relatos de pilotos durante a Segunda Guerra.

"Nós ainda somos gratos pelos pescadores estarem lá naquele dia para ajudá-lo." (e-mail enviado pela filha do Co-piloto para mim)

Relato de Richard Widdicombe sobre o acidente do Zeppelin

Qual foi o maior susto que você já passou?

A maioria dos sustos que já tive foi em aviões, mas eu posso me lembrar de uma vez ter momentos angustiantes em um dirigível. Eu estava indo pela costa da América do Sul durante a guerra, passando o “blimp” de um ponto para o outro. Cerca de meio caminho do voo de 600 milhas, atingimos ventos realmente fortes e eu estava a 12 milhas por hora de velocidade no solo por cinco horas, e arrastei. Eu estava começando a me perguntar se eu já conseguiria fazê-lo. Em direção ao pôr-do-sol, os ventos cessaram. Começamos a aumentar a velocidade, e eu estava entre 50 e 60 nós, levantei voo para Maceió, Brasil, e bem tarde da noite, cheguei lá. Isso foi muito angustiante.

Eu caí uma vez na América do Sul, quando eu estava navegando.

O que aconteceu?

Nós atingimos densa neblina ao norte do Rio e encontramos uma pequena montanha que não estava no mapa. Isso significa que foi um perda total.

Alguém morreu?

Ninguém morreu. Atravessamos uma ilha inclinada e coberta de selva chamada Cabo Frio, ao norte do Rio, por volta das duas da manhã. Fui nocauteado, e um cara teve o pé rasgado, outro cara teve o couro cabeludo aberto. Havia nove no total, e os demais tripulantes passavam bem.

Foi uma das sensações mais estranhas que já tive. Eu cheguei e o resto da tripulação já havia saído, e o piloto principal, Joe Bartoff (eu era seu copiloto) acabara de enviar alguém para me encontrar. Quando cheguei, lembro-me de me arrastar pelo chão e pelo deck do navio. Estava uma grande confusão, e eu lembro que apareci na porta de entrada do dirigível e olhei para fora. Óbvio, estava escuro, mas eles tinham lanternas, e eu podia ver meus colegas no solo.

A última coisa que eu tenho consciência é que estávamos em um voo normal. Foi tão difícil entender o que (em nome de Deus), tinha acontecido. Um membro da tripulação me derrubou e viu que eu estava com um corte ao redor do rosto. Aparentemente, eu estava na mesa de navegação, e a súbita desaceleração me lançou para frente do blimp até o seu nariz. Lembro que um dos meus colegas tirou um galho do canto do meu olho. Ninguém jamais saberá, porém, porque ninguém me encontrou lá na frente da aeronave. Eu cambaleei para a parte de trás do navio, e eu não sabia onde eu estava. Então, eles fizeram um curativo improvisado, e Oh meu Deus!

Nunca esquecerei aquelas feridas abertas. Claro, o grande medo naquela parte do país era sempre uma infecção.

O que você usou?

Utilizamos sulfanilamida (antibiótico); Essa foi a primeira droga milagrosa que já vi. É uma espécie de pó amarelo. Então, Joe Bartoff e dois da tripulação chegaram ao fundo da ilha. Eles caíram em uma ravina. Havia porcos selvagens. Nós a atingimos a um nível de 250 pés - a montanha tinha 1.092 pés de altura. Posso lembrar todos esses detalhes, vividamente. Nós carregamos facões apenas para possíveis incidentes na selva como este. Imagine aviões modernos voando por aí, carregando um par de facões. Eles acabaram sendo muito úteis.

A tripulação desceu, e havia alguns pescadores saindo da aldeia de Cabo Frio, que fica no continente. Nossos homens conseguiram chamar a atenção dos pescadores, e esses realmente salvaram nossos traseiros. Eles chegaram ao topo da montanha, onde o resto de nós estávamos. Nós tínhamos dois grandes beliches de tubos no navio, e arrancamos um deles e colocamos o cara com o pé rasgado. Esses nativos tomaram os facões, e literalmente cortaram nosso caminho pela ilha (trilha). Era tão denso, que havia lugares onde eles tinham que virar esse garoto no beliche - seu nome era Jones - quase na borda da encosta para levá-lo embora. Foi como fizemos a medida que o caminho ia se estreitando. Chegamos à base junto ao mar às quatro horas da tarde, e o médico local saiu em um barco a motor. Ele nos levou a uma pequena clínica.

O médico havia sido treinado na França. Ele era realmente muito bom, mas seu equipamento era muito austero - e havia muito pouco recurso. Ele me limpou, e eu nunca esqueci: ele costurou todo o meu rosto com linha cirúrgica e uma agulha curva, sem qualquer anestesia.

A força aérea enviou um grande caminhão poderoso – quatro por quatro - e eles nos levaram de nossa pequena aldeia. O médico francês provavelmente salvou meu traseiro, exceto pelo fato dele colocar mais poeira de sulfa em mim, e eu ter acabado com uma intoxicação de sulfanilamida. Demorou cerca de dois meses para a sulfa sair do meu corpo.

Obs: Jones: Acredito que devido aos pescadores no primeiro momento terem mais contato com o ferido Jones, ter surgido a famosa frase pronunciada pelos pescadores "Ei Johnny! A que horas caiu avione em morrone?"

Médico local: Abel Beranger

Caminhão poderoso- quatro por quatro: Fato relatado pelo pesquisador local Sr. Reinaldo Fialho. 




Os interessados em adquirir os livros podem se dirigir aos seguintes pontos de venda: em Arraial do Cabo na casa da Piedra, no centro histórico e em Cabo Frio na Copicentro ao lado da caixa econômica Federal e no Parada obrigatória, na praça Porto Rocha.








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